Se tem uma coisa que sempre me incomodou e ainda me incomoda é quem vive reclamando de tudo. Pessoas que só conseguem enxergar o que não têm e não são nem um pouco gratas pelo que possuem. Nada é o bastante, sempre falta algo. É angustiante.
O mundo não é perfeito, eu sei, e apenas cada um sabe a cruz que carrega, mas viver se lamentando não vai ajudar em nada.
Pior são aqueles que nitidamente não têm problema algum - digo em relação às questões sociais básicas como ter uma boa educação, uma boa condição financeira, uma casa, uma família, etc. - e não conseguem perceber o quanto são privilegiados quando comparados à grande parte da sociedade.
Falar mal virou moda, criticar é ser “cool”. Não tem jeito mais fácil de se criar uma rápida aproximação com estranhos do que iniciando uma conversa queixando-se de algo. Repare bem nos pontos de ônibus, nas filas de espera do supermercado, nos barzinhos, em qualquer esquina sempre tem indivíduos maldizendo sobre qualquer assunto o tempo todo. Até numa roda de amigos, sempre terá aquele que irá lamuriar-se de tudo. Virou normal algo que é tóxico. É preciso parar com essa cultura de insatisfação constante, de sempre querer mais, de nunca ser o suficiente.
Quantas vezes você agradeceu pelo que tem hoje? Talvez uma ao acordar, talvez nenhuma. Afinal, agradecer para quem, por que e para quê? Muitos podem pensar que o ato de agradecer seja apenas destinado a uma “Força divina superior”, coisa de quem tem alguma religião ou fé, porém isso não tem muito a ver.
Com isso não quero dizer que não se deva ser grato e direcionar essa gratidão à forças invisíveis, mas que o leque de opções onde essa energia poderá ser propagada é imenso. Como exemplo temos os nossos pais que fazem tanto por nós, os nossos amigos, os nossos professores, os nossos colegas de trabalho, os nossos vizinhos. Ninguém é autossuficiente, em algum momento precisamos ou precisaremos da ajuda do outro então sempre existirá alguém digno do seu reconhecimento.
Mas será que é nossa culpa reclamar tanto, será que na maioria das vezes não fazemos isso automaticamente sem nos darmos conta? Creio que sim e por isso é tão importante o autopoliciamento. Fomos acostumados a viver numa realidade onde é bom desejar ter sempre mais, é bom ter ambição, é bom ter muito dinheiro, é bom ser muito rico e se você não consegue isso é visto como fracassado e como consequência vem a insatisfação.
Não só na área econômica, mas também estética. Se você não é alto, magro e branco está fora dos padrões e com isso é gerada a frustração de não conseguir nunca ser aquilo que a mídia prega como modelo.
Urge uma desconstrução total de toda essa falácia imposta de que se você não é bonito e, principalmente, não tem muito dinheiro você é um perdedor. As pessoas precisam parar de querer ser algo que não são, de querer ter algo que não têm e começarem a valorizar a si mesmas e o que possuem.
Simplesmente, pare e pense se o quê você deseja lá no fundo não está diretamente ou indiretamente ligado a critérios determinados por uma falsa necessidade ou por uma real utilidade. Depois disso, avalie se vale mesmo a pena tanto esforço e sofrimento e dê valor ao que realmente importa, que com certeza você não precisará pagar ou sofrer para ter porque provavelmente você já possui.
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